Em 1991 a ANPET promovia encontros anuais que ainda não eram chamados de congressos. Naquele ano, em Belo Horizonte, Marilita Gnecco de Camargo Braga foi chamada para presidir a comissão organizadora do evento seguinte, no Rio de Janeiro. Dali em diante, sua trajetória se alinharia à consolidação da própria Associação.
Da Engenharia Civil ao planejamento de transportes
Paulista, formada em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia Mauá em 1973, Marilita conheceu a área de transportes por um curso noturno oferecido por professores da Escola Politécnica da USP em seu último ano de graduação: informal, mas decisivo, já que sua formação até então era voltada à área de estruturas.
Dois anos depois mudou-se para o Rio de Janeiro para o curso de Mestrado na COPPE-UFRJ, instituto que teve papel central na própria formação da ANPET. Defendeu a dissertação em 1979 na área de segurança viária, seguiu como pesquisadora na instituição e ingressou por concurso no corpo docente da Escola de Engenharia da UFRJ em 1982. Em 1989, na Inglaterra, defendeu o Doutorado no Imperial College. Ao retornar, passou a atuar como docente na COPPE-UFRJ, onde também ocupou cargos de gestão entre 1998 e 2006, sendo vice-diretora da instituição no último biênio. Aposentou-se em 2016.
Da participação nos eventos à Presidência
O primeiro contato de Marilita com a ANPET aconteceu em 1990, quando apresentou seu primeiro trabalho no então chamado encontro nacional. Em 1991, veio o convite para presidir a comissão organizadora do congresso de 1992 no Rio de Janeiro, evento que, segundo ela, sacramentou a transformação dos encontros anuais em congresso. Foi nesse evento que se tornou presidente da ANPET para o biênio 1992-1994, período em que também atuou como diretora de Publicações científicas e editora do periódico Transportes. Ao longo da trajetória na associação, participou de 11 comitês científicos.
Voltaria à Presidência em 2006, eleita durante o 20º congresso, em Brasília, para o biênio 2007-2008. Destaca desse período a parceria com a professora Maria Cristina Fogliatti de Sinay, do Instituto Militar de Engenharia, com quem colaboração para a consolidação do periódico Transportes como publicação científica reconhecida nacionalmente.
Congressos anuais e um periódico: as duas bandeiras
Marilita aponta dois legados centrais de sua passagem pela ANPET. O primeiro é a periodicidade dos congressos anuais, sustentada com esforço em um período em que a Associação dependia de anuidades e do apoio de outras instituições, articulação que permitiu trazer convidados internacionais aos eventos.
O segundo é o periódico Transportes: manter uma publicação científica ativa, com contribuições em volume e qualidade suficientes para avaliação periódica, exigiu trabalho constante ao longo dos anos, do qual participou tanto no comitê científico quanto no corpo editorial.
Pontes com outras instituições
Como presidente, Marilita ocupou assento no Conselho Diretor da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) e integrou o Comitê Científico de Defesa dos Direitos da Criança, no que se relacionava à segurança no trânsito. Representou também a ANPET na Câmara Temática de Educação para o Trânsito e Cidadania, ao lado de Paulo César Marques da Silva da Universidade de Brasília, grupo que prestava apoio consultivo à resolução do Conselho Nacional de Trânsito, ainda na época do Denatran.
Memória curta, contribuição duradoura
Para Marilita, a relevância da ANPET está ligada à sua capacidade de preservar memória institucional em um país que, em suas palavras, “tem memória curta”: ela cita organizações parceiras que hoje não existem mais.
Nesse contexto, situa a importância dos 40 anos da Associação: o crescimento das relações com universidades brasileiras e estrangeiras e a manutenção de mecanismos constantes de divulgação científica, algo que ela observa não ter acontecido com outros organismos e congressos que "surgiram e morreram" ao longo do tempo. "E a gente está aí, 40 anos depois", resume. "Eu acho um exemplo extremamente importante dentro da área."
Quatro nomes para não esquecer
Marilita fez questão de lembrar quatro personalidades decisivas na trajetória da ANPET: Prof. Antônio Galvão Novaes, também presidente da Associação (biênio 1995-1996), descrito como alguém de conhecimento profundo e forte capacidade de agregar; Profa. Maria Alice Prudêncio Jacques, da UnB, lembrada por sua atuação nos comitês
científicos e como organizadora exemplar; Prof. Marcio Peixoto de Sequeira Santos, da COPPE, com atuação relevante na editoria do periódico Transportes e nos comitês científicos dos congressos; e Thereza Afflalo, secretária da ANPET por 22 a 23 anos a partir de 1991, que, segundo Marilita, "foi uma alma fundamental para que as coisas engrenassem e se mantivessem ao longo de décadas com muito menos recursos de informatização do que hoje”.
